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Quando o sono deixa de ser normal: síndrome rara pode fazer pessoa dormir até 20 horas por dia

Especialista explica os sintomas da Síndrome de Kleine-Levin, condição pouco conhecida que provoca episódios prolongados de sono excessivo e alterações de comportamento

30/06/2026

Imagine um adolescente que, de repente, passa dias dormindo quase o tempo todo. Ele acorda apenas para comer, ir ao banheiro ou realizar atividades básicas e, mesmo quando está desperto, demonstra confusão, dificuldade de concentração e alterações no comportamento. Depois de alguns dias ou semanas, volta à rotina normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Embora pareça incomum, esse é o quadro enfrentado por pessoas com a Síndrome de Kleine-Levin, uma condição neurológica rara caracterizada por episódios recorrentes de hipersonia intensa. Durante as crises, o paciente pode dormir entre 16 e 20 horas por dia, comprometendo completamente a vida escolar, profissional e social.

A síndrome costuma surgir na adolescência e ainda desperta dúvidas até mesmo entre profissionais de saúde devido à sua raridade e à semelhança dos sintomas com outras condições neurológicas e psiquiátricas.

Segundo a especialista em medicina do sono Jéssica Polese, um dos maiores desafios está justamente no reconhecimento da doença.

"Muitas famílias passam por um longo percurso até chegar ao diagnóstico. Como os episódios são intercalados por períodos em que o paciente volta a ter uma vida normal, é comum que os sintomas sejam confundidos com problemas emocionais, psiquiátricos ou até mesmo com comportamentos típicos da adolescência", explica.

Além do sono excessivo, a síndrome pode provocar alterações cognitivas e comportamentais importantes. Durante as crises, alguns pacientes apresentam irritabilidade, apatia, desorientação, dificuldade para compreender o ambiente ao redor e problemas de memória. Também podem ocorrer episódios de hiperfagia, caracterizados por aumento significativo do apetite.

"O excesso de sono é o sintoma mais marcante, mas não é o único. Muitas vezes o paciente desperta em um estado de lentificação mental, com dificuldade para se comunicar, estudar ou realizar tarefas simples. Isso gera impacto não apenas para quem convive com a síndrome, mas também para toda a família", afirma a médica.

Por não existir um exame específico capaz de confirmar a condição, o diagnóstico depende da avaliação clínica e da exclusão de outras doenças que possam causar sintomas semelhantes. Exames neurológicos, laboratoriais e estudos do sono costumam fazer parte da investigação.

A especialista alerta que episódios recorrentes de sonolência excessiva nunca devem ser ignorados. "Quando o sono passa a impedir que a pessoa mantenha suas atividades habituais, frequente a escola, trabalhe ou participe da vida social, é importante procurar avaliação médica. O sono excessivo pode ser um sinal de diferentes doenças e merece investigação adequada", destaca.

Apesar de não haver cura definitiva, o acompanhamento especializado é fundamental para controlar os sintomas, orientar pacientes e familiares e minimizar os impactos provocados pelas crises.

Para Jéssica, ampliar o conhecimento sobre a síndrome também contribui para reduzir o tempo até o diagnóstico e evitar que pacientes passem anos sem entender o que está acontecendo.

"Por ser uma doença rara, muitas pessoas nunca ouviram falar da Síndrome de Kleine-Levin. A informação é importante porque ajuda famílias e profissionais a reconhecerem sinais de alerta e buscarem ajuda especializada mais cedo", conclui.

 

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