Crédito foto: Site Globo
Após o episódio ocorrido com o ator Henri Castelli no Big Brother Brasil, em entrevista o mesmo mencionou que sofre de insônia crônica. A doença é um transtorno do sono que vai muito além de uma noite mal dormida. De acordo com a Pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, a condição é caracterizada pela dificuldade persistente para iniciar ou manter o sono, ou ainda pelo despertar precoce, ocorrendo pelo menos três vezes por semana, por um período de três meses, ou superior a esse tempo. “Para falarmos em insônia crônica, não basta dormir mal. O sono insuficiente ou fragmentado gera impactos como cansaço excessivo, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda do rendimento no trabalho ou nos estudos”, explica a especialista.
Segundo a médica, muitas pessoas acreditam que, quem tem insônia simplesmente não dorme, o que nem sempre é verdade. “Na maioria dos casos, o paciente até dorme algumas horas, mas o sono é superficial, fragmentado e não reparador. Isso faz com que ele acorde com a sensação de que não descansou, mesmo tendo passado tempo suficiente na cama”, afirma. Esse padrão, quando se repete ao longo do tempo, acaba desencadeando uma série de consequências físicas e emocionais.
A insônia crônica está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas como obesidade e dislipidemia, além de estar fortemente relacionada a transtornos de humor. “Existe uma relação muito próxima entre insônia, ansiedade, depressão e dor crônica. Um problema acaba alimentando o outro, criando um ciclo difícil de ser rompido sem tratamento adequado”, destaca a médica. Ela explica ainda que pacientes com ansiedade costumam ter mais dificuldade para iniciar o sono, enquanto aqueles com depressão frequentemente apresentam despertares precoces.
Para o tratamento, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é recomendada: Ela atua sobre os comportamentos, pensamentos e associações negativas que mantêm a insônia e inclui técnicas como: controle de estímulos, restrição do sono, técnicas de relaxamento e reestruturação cognitiva. “Diversos estudos mostram que a terapia é mais eficaz e duradoura do que o uso de medicamentos”, explica Jessica. Os medicamentos para dormir devem ser utilizados apenas em casos selecionados, por tempo limitado e sempre com orientação médica.
A adoção da higiene do sono também é recomendada, sempre! Hábitos simples, mas extremamente eficazes, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar cochilos diurnos prolongados, reduzir o consumo de cafeína e álcool à noite, além das telas, e criar um ambiente adequado para o sono, ainda é essencial.
Sobre as convulsões que ao ator teve, Jessica diz que a privação de sono, pode ter sido um gatilho para convulsão, quanto o próprio sono. “Existem alguns tipos de convulsões que acontecem durante o sono, porque o paciente está dormindo e os motivos precisam ser investigados”, finaliza.
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