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Negocios

Dupla jornada, saúde mental e NR-01: o que as empresas precisam enxergar sobre a realidade das mulheres no trabalho

11/08/2026 Por Criar Comunicação Integrada Leitura de 3 min
11/08/2026

A nova NR-01 amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos psicossociais. Para especialistas, a mudança pode representar um divisor de águas para organizações que desejam cuidar verdadeiramente das pessoas — especialmente das mulheres, que convivem diariamente com uma sobrecarga muitas vezes invisível.

Ela entrega resultados, participa de reuniões, cumpre metas e lidera equipes. Sai do trabalho e começa um segundo turno: filhos, casa, idosos, tarefas domésticas, escola, alimentação, consultas médicas, organização da rotina da família.

Essa é a realidade de milhões de mulheres brasileiras. Segundo dados do IBGE, mesmo inseridas no mercado de trabalho, as mulheres ainda dedicam quase o dobro do tempo dos homens aos cuidados da casa e da família. A soma entre responsabilidades profissionais e pessoais cria uma sobrecarga silenciosa que frequentemente se transforma em ansiedade, exaustão, dificuldade de concentração e burnout.

E essa realidade não fica do lado de fora da empresa, ela entra todos os dias pela porta junto com cada colaboradora.É justamente por isso que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que exige a identificação e prevenção dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, representa muito mais do que uma exigência legal.

Para a psicóloga organizacional e consultora de RH estratégico Carolina Gama, trata-se de uma oportunidade para que as empresas assumam um papel ativo na construção de ambientes emocionalmente seguros.“A mulher não chega ao trabalho apenas como profissional. Ela chega como mãe, filha, esposa, cuidadora e responsável por inúmeras demandas que, muitas vezes, permanecem invisíveis para a organização. A empresa não consegue eliminar essa realidade, mas pode evitar que o ambiente de trabalho seja mais uma fonte de adoecimento.”

A NR-01 determina que as organizações passem a identificar, avaliar e controlar fatores como excesso de demandas, comunicação inadequada, assédio, conflitos interpessoais, pressão constante, gestão baseada no medo e outras condições capazes de comprometer a saúde mental dos colaboradores. Quando esses fatores se somam à sobrecarga já vivida por muitas mulheres fora da empresa, o impacto pode ser significativo.

Relatórios internacionais, como o Women in the Workplace, da McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, mostram que mulheres apresentam índices mais elevados de burnout, principalmente em posições de liderança, onde frequentemente convivem com maior pressão por desempenho e expectativas sociais mais rígidas.

Segundo Carolina, o maior desafio das organizações não é apenas cumprir a legislação, mas sim criar espaços onde as pessoas possam conversar, refletir, fortalecer vínculos e desenvolver competências socioemocionais que favoreçam relações mais saudáveis.“Saúde mental não se constrói apenas com palestras sobre ansiedade. Ela se fortalece quando as pessoas aprendem a se comunicar melhor, desenvolvem empatia, confiança, senso de pertencimento e conseguem enxergar umas às outras além dos cargos", ressalta a especialista.

Nesse contexto, metodologias vivenciais vêm ganhando espaço dentro das empresas.Workshops utilizando LEGO® Serious Play®, por exemplo, permitem que equipes expressem emoções, compartilhem desafios, construam soluções coletivas e fortaleçam relações de confiança de forma prática, leve e altamente participativa.

A metodologia tem sido utilizada em programas voltados ao desenvolvimento da liderança feminina, fortalecimento das equipes, prevenção dos riscos psicossociais e construção de ambientes psicologicamente mais seguros , temas que passam a ganhar ainda mais relevância com a implementação da NR-01.

Para Carolina Gama, empresas que cuidam da saúde emocional de suas colaboradoras não estão apenas reduzindo riscos legais, estão fortalecendo engajamento, inovação, retenção de talentos e resultados.“Toda empresa depende de pessoas para crescer. E nenhuma organização alcança alta performance quando mulheres extraordinárias trabalham todos os dias carregando um peso invisível. Cuidar da saúde mental delas deixou de ser apenas um gesto de sensibilidade. Hoje é uma decisão estratégica.”

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