Verão combina com mudança de visual. Tons mais iluminados, loiros, caramelos, cobres e reflexos dourados costumam ganhar espaço nos salões nessa época do ano. Mas, antes de correr para a transformação, existe uma etapa que pode fazer toda a diferença no resultado: preparar o cabelo.
Isso porque o verão não é um período fácil para os fios. Sol, radiação UV, água do mar, cloro, calor e lavagens mais frequentes podem aumentar o ressecamento, a porosidade, o frizz, o desbotamento e a quebra. Uma revisão científica publicada em 2026 aponta que a radiação solar provoca processos oxidativos na fibra capilar e que cabelos claros e descoloridos estão entre os mais suscetíveis aos danos.
“Quando a pessoa pensa em mudar a cor, principalmente para tons mais claros, ela precisa pensar primeiro na condição do fio. Cor bonita começa em cabelo saudável. Quanto mais preparado estiver o cabelo, maior a possibilidade de conseguir um resultado bonito, uniforme e com mais durabilidade”, explica Thiago Gonçalves, expert em coloração e cuidados capilares.
Preparação começa em casa
Segundo o especialista, a preparação não precisa começar necessariamente no salão. Em casa, uma rotina consistente de hidratação, nutrição e reconstrução, escolhida de acordo com a necessidade do cabelo, ajuda a melhorar a condição dos fios antes de um procedimento químico.
Também é importante observar a proteção durante a exposição ao sol e à água. A Academia Americana de Dermatologia recomenda proteger os cabelos da radiação UV e destaca que cabelos descoloridos ou quimicamente tratados ficam especialmente vulneráveis. Para quem frequenta piscina, uma estratégia simples é molhar os fios antes de entrar na água e utilizar leave-in ou óleo adequado, criando uma barreira; depois, o cabelo deve ser enxaguado e higienizado.
“Não é apenas colocar uma máscara uma vez e achar que o cabelo está preparado. O fio precisa de uma rotina. E cada cabelo vai responder de uma maneira diferente, por isso é importante entender o que ele está pedindo”, explica Thiago.
E no salão?
No salão, o primeiro passo deve ser uma avaliação da fibra capilar. O profissional consegue identificar sinais como ressecamento excessivo, porosidade, elasticidade alterada, pontas fragilizadas e quebra, antes de indicar uma transformação.
Dependendo da condição do cabelo, podem ser indicados protocolos de hidratação, nutrição, reconstrução e tratamentos de fortalecimento da fibra. O objetivo não é simplesmente “encher o cabelo de produto”, mas preparar o fio para suportar o processo químico que será realizado.
“Um cabelo fragilizado não deve ser tratado como uma tela em branco. Antes de pensar no tom, precisamos entender até onde aquele fio pode chegar com segurança”, pontua o expert.
Como saber se o cabelo está preparado para a química?
Não existe um único teste doméstico capaz de determinar se o cabelo está pronto para uma transformação. A avaliação profissional é importante, especialmente quando existe descoloração envolvida.
Alguns sinais, porém, servem de alerta: fios que quebram facilmente, pontas extremamente ásperas, aspecto muito poroso, dificuldade de desembaraçar e perda importante de elasticidade.
Outro ponto importante é entender que clarear exige mais cuidado do que simplesmente escurecer. A Academia Americana de Dermatologia explica que clarear mais de três tons em relação à cor natural normalmente exige concentrações maiores de peróxido e pode provocar mais dano à fibra.
Quanto tempo antes é preciso preparar?
O tempo varia de acordo com a condição do cabelo. Um fio saudável pode precisar de apenas algumas semanas de preparação e manutenção adequada. Já cabelos sensibilizados por coloração, descoloração ou uso frequente de ferramentas térmicas podem precisar de um período maior antes de receber uma nova química.
“Não gosto de estabelecer uma regra de que todo mundo precisa preparar o cabelo por 15 ou 30 dias. O cabelo é individual. Se ele está saudável, o processo pode ser mais rápido. Se está sensibilizado, o mais importante é respeitar o tempo de recuperação da fibra”, explica Thiago.
Quais tendências do verão exigem mais atenção?
As tendências de 2026 caminham bastante entre tons naturais e iluminados. Entre os destaques estão champagne blonde, caramel highlights, brunette iluminado, tons acobreados, burnt sienna e copper rose. Vogue e Allure também apontam uma preferência por cores mais naturais, dimensionais e de menor manutenção.
Entre elas, os tons que envolvem descoloração intensa merecem atenção especial. Para chegar a loiros muito claros, por exemplo, é necessário retirar pigmento da fibra, o que pode aumentar a sensibilização. Cores fantasia em tons pastel também costumam exigir uma base muito clara para que o pigmento apareça corretamente, o que pode envolver etapas de clareamento.
Já técnicas mais suaves, como reflexos caramelos e castanhos iluminados, podem permitir uma transformação mais gradual, dependendo da base e da técnica utilizada.
“Hoje existe uma busca muito grande por cabelo iluminado, mas iluminado não significa necessariamente extremamente claro. Dá para criar dimensão, brilho e efeito de verão trabalhando com caramelos, dourados, cobres e tons mais próximos da base natural. É uma maneira de mudar o visual sem necessariamente levar o cabelo ao limite”, afirma Thiago.
O verão começa antes da praia
A preparação dos fios, portanto, não deve ser pensada apenas como uma etapa anterior à ida ao salão. Ela precisa continuar durante toda a temporada.
A exposição solar pode deixar o cabelo mais seco, áspero, quebradiço e desbotado, enquanto cloro e água salgada podem aumentar a porosidade e favorecer ressecamento, frizz e quebra. Cabelos claros, loiros, grisalhos ou descoloridos tendem a ser ainda mais suscetíveis.
Por isso, a recomendação é simples: antes de escolher a cor do verão, escolha cuidar do fio.
“Meu conselho é não esperar o cabelo ficar danificado para começar a tratar. Se a ideia é mudar a cor, principalmente clarear, o melhor momento para começar a cuidar é antes da transformação”, finaliza Thiago Gonçalves, expert em coloração e cuidados capilares.

Por Karoline Rodrigues Moreira
Participe da conversa