Em um estudo publicado no final de novembro no JAMA Neurology, pesquisadores associaram a apneia obstrutiva do sono, uma condição que causa pausas temporárias na respiração durante o sono, à doença de Parkinson.
O estudo analisou dados de prontuários médicos de mais de 11 milhões de veteranos das Forças Armadas dos Estados Unidos, acompanhados ao longo de duas décadas, entre 1999 e 2022.
A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o sono, o que provoca quedas nos níveis de oxigênio e fragmentação do descanso. Segundo especialistas, essa condição, muitas vezes subdiagnosticada, pode trazer impactos que vão além do cansaço diurno.
De acordo com a pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, os resultados reforçam a importância do diagnóstico e do tratamento precoce do distúrbio do sono.
“A apneia do sono ocorre quando os músculos relaxam e causam o fechamento das vias respiratórias, impedindo a respiração adequada. Sem conseguir respirar, o paciente acorda por um breve momento, fazendo com que a respiração volte ao normal. Essa situação acontece repetidamente durante a noite e pode produzir ronco, além de impedir que a pessoa alcance o sono profundo”, explica a médica. Ao longo dos anos, esses eventos podem gerar inflamação e estresse no sistema nervoso, o que ajuda a entender por que ela vem sendo associada a doenças neurológicas”, explica a especialista.
O tratamento indicado é o uso do CPAP – um aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono através de um fluxo constante de ar enviado por uma máscara.
“No estudo, os pacientes que começaram a usar máquinas CPAP nos dois anos seguintes ao diagnóstico apresentaram uma probabilidade cerca de 30% menor de desenvolver a doença de Parkinson em comparação com aqueles que não utilizaram o tratamento”, afirma Jessica.
A médica destaca que o estudo não estabelece uma relação de causa e efeito, mas levanta um alerta importante. “Esses achados não significam que a apneia cause Parkinson, mas indicam que pessoas com apneia não tratada podem ter maior risco”, ressalta a especialista.
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