A poluição atmosférica — especialmente as partículas finas suspensas no ar — é uma das principais ameaças à saúde das populações urbanas em todo o mundo e no Espírito Santo. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a presença de partículas inaláveis está associada a doenças respiratórias, cardiovasculares, câncer de pulmão e até aumento da mortalidade prematura. Por aqui, como todo capixaba sabe, convivemos com o pó de minério – que é objeto de fiscalizações de órgãos públicos do governo e motivo de muitos debates da população. Neste início de ano, moradores de dois municípios fizeram reclamações a respeito do tema: em Vitória, moradores da Enseada do Suá reclamaram do aumento do pó preto em suas residências, e em Cariacica, moradores do bairro Porto de Santana, chegaram a fazer uma manifestação por conta do pó preto de uma empresa presente no local que tem incomodado há anos.
Para a pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, os riscos vão muito além do incômodo visual. “Partículas de poluição são minúsculas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões e até alcançar a corrente sanguínea, desencadeando inflamação e contribuindo para doenças como asma, bronquite, enfisema e agravos em pacientes com condições cardíacas. A exposição prolongada também está associada a um risco maior de desenvolver câncer de pulmão e outras complicações sistêmicas”, destaca a médica.
Além disso, quem já sofre com doenças respiratórias, tendem a ter um aumento dos sintomas com a poluição do ar. “As doenças crônicas agravam-se e aumentam a demanda por atendimentos de emergência e internações hospitalares. Crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes são ainda mais vulneráveis aos impactos dessas partículas nocivas”, explica Jessica.


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