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50+ e em movimento: idosos ganham espaço no mercado de trabalho

26/11/2025 • Por Criar Comunicacao • Leitura de 3 min
26/11/2025

Os considerados ‘Seniores’ estão cada dia mais em busca de novas qualificações

O perfil do trabalhador brasileiro está mudando e a “geração prateada” é uma das grandes protagonistas dessa transformação. Um levantamento recente do FGV IBRE mostra que, entre o final de 2012 e 2024, o número de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu 69%, chegando a 8,6 milhões de brasileiros. O dado reflete um movimento claro: longe de se aposentarem da vida produtiva, os idosos estão buscando novas formas de manter autonomia, propósito e renda. Hoje, mais de 17 milhões de famílias têm seu sustento garantido por pessoas com mais de 60 anos, segundo o IBGE. Enedina, aluna do polo de Vila Velha falou sobre a alegria de poder estudar o que gosta, mesmo com 70 anos. “Estou aqui para aprender a fazer os moldes, para poder costurar sob medida e depois dos 70 anos de idade essa foi a única oportunidade que eu tive de estudar. Atualmente estou estudando a minha primeira saia e quero chegar até o fim. Fico muito feliz com essa oportunidade”, declarou Dona Enedina. Outro aluno que também está em busca de uma nova colocação no mercado de trabalho é Demerval Gabriel de Lima do polo de Cariacica. Demerval que hoje trabalha como auxiliar de serviços gerais, está cursando Técnico em Enfermagem com o sonho de trabalhar cuidando das pessoas. “Há 15 anos atrás iniciei um curso gratuito na área, mas pensei que não era a minha vocação. Mas, anos se passaram e senti um chamado para cuidar do próximo, principalmente os mais velhos, então voltei a estudar. Minha intenção é ser um professor que atua na área social e em atividades voluntárias. Essa é a parte que desejo desempenhar”, declarou o futuro técnico em enfermagem.. Demerval diz que suas escolhas, tem refletido positivamente em sua família. “Jamais imaginei que estaria aqui hoje, formando-me como técnico em enfermagem. Sou um espelho e um incentivo para minha família. Minha neta manifestou o desejo de seguir meus passos. Creio que, em breve, ela fará sua inscrição para o curso técnico em enfermagem”, finalizou Demerval. Apesar do avanço do etarismo, o preconceito relacionado à idade ainda é uma barreira significativa. Um estudo da Ernst & Young e da Maturi, agência especializada em profissionais com mais de 50 anos, mostrou que 78% das empresas brasileiras admitem ter dificuldades em contratar trabalhadores dessa faixa etária. Em muitas companhias, pessoas acima dos 50 anos representam menos de 10% do quadro funcional.

Educação e requalificação: o caminho da reinvenção

A requalificação tem sido uma das principais pontes para manter os 60+ em atividade. Escolas técnicas e centros de capacitação vêm registrando aumento na procura por cursos voltados a essa faixa etária, como é o caso da Grau Técnico, que oferece formações em áreas diversas, incluindo Costura Industrial, Estética, Enfermagem e Administração. A instituição destaca que o número de alunos com mais de 60 anos tem crescido de forma consistente nos últimos anos. “É inspirador ver pessoas que decidiram voltar a estudar depois de décadas, muitas vezes para realizar um sonho antigo ou iniciar uma nova carreira”, comenta a direção pedagógica da escola. Além de buscar recolocação profissional, muitos veem nos cursos uma oportunidade de socialização, aprendizado contínuo e fortalecimento da autoestima. O cenário começa a mudar com a conscientização sobre o valor da experiência. O profissional maduro traz maturidade, foco e comprometimento, além de servir como exemplo e equilíbrio dentro das equipes.  Um novo olhar sobre o envelhecer Com o aumento da expectativa de vida e o avanço da medicina, viver mais também significa viver melhor e de forma ativa. Cada vez mais empresas e instituições educacionais têm se adaptado a essa realidade, promovendo um envelhecimento produtivo e cheio de possibilidades. O futuro, ao que tudo indica, será cada vez mais maduro e plural. E o caminho passa pela valorização da experiência, pela abertura ao aprendizado e pela quebra de estigmas sobre idade e capacidade.
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